terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Relação virtual, sofrimento real

 

É difícil falar disso de uma forma sintética... Tenho profundas marcas a respeito desse argumento, mas aí vai...


Amados amigos, eis a realidade do virtual:
A solidão na Web está cada vez mais comum.

Várias pessoas têm encontrado uma maneira de contornar o problema de estar sozinho "criando" uma relação virtual sobre a qual despejam todas as expectativas e sentimentos de um relacionamento real. Com um único problema: A outra pessoa está na outra extremidadede um fio ou de um monitor.

O problema está se generalizando e, infelizmente, cria um sofrimento que de virtual não tem nada.

No entanto, nestes casos, cria-se uma relação que não é saudável, pois baseia-se na idealização do que a tal pessoa está falando ou escrevendo, sem que você realmente tenha certeza da verdade.
A pessoa pode ser sincera ou não, pode dizer ser o que é ou não.Você só vai saber com o tempo. 

Quando você se dispõe a ter um relacionamento através da Internet, dá ao parceiro o melhor de si, especialmente se você quiser criar uma amizade onde irá partilhar semelhanças, gostos, interesses, até mesmo somente um conhecimento superficial.  

Mas quando há, no meio disso, a solidão desperta-se a expectativa e a ilusão.  
Espera-se que, conhecendo-se um pouco mais a cada dia, se possa apaixonar, ver, formar um par.

Mas basicamente existe o medo.Medo de encarar a realidade, a dificuldade ou o amor real.


Assim,você estabelece uma relação a distância e quando há o encontro TUDO parece sempre lindo e perfeito. Na verdade, quando se encontra no messenger, via e-mail, telefone ou web CAM, se tenta dar o melhor de si juntamente com um POUCO (digo POUCO) de vida diária.


Mas enfrentar uma vida em comum é outra coisa e isso é assustador .


Há aqueles que trabalham muito e não têm tempo de interagir socialmente com os amigos lá fora.Aqueles que tem um casamento infeliz, outros têm um compromisso ou uma convivência com alguém e não se sentem felizes. Há aqueles que por muitos anos viveram sozinhos .Outras pessoas são introvertidas, algumas são tímidas... mas há,também, aqueles que, apesar de não serem introvertidas, têm "medo" de lidar com um relacionamento, porque isso exigiria compromisso, dedicação, atenção e até mesmo o sacrifício e a entrega.


Nestes casos, se estabelece relações que são "substitutas" para o que nos falta, mas elas são perigosas tanto para aqueles que as querem, quanto para os outros. Atrás do hábito, o anexo é oculto...cria-se um apego...E por trás dele se escondem o ciúme e a exclusividade.


Uma relação de "Amor Virtual", quero dizer, entre pessoas que por meses se ligam, se escrevem, mas nunca se encontraram, é uma substituta do carinho, da ternura e impede que o amor real, palpável, chegue.Porque a mente e, em alguns casos, o coração está envolvido em algo que realmente não existe. As duas pessoas não sabem se o cheiro do corpo será compatível, se o beijo será um prazer ou desgosto,se as mãos se encaixarão perfeitamente. Elas não sabem quais são os hábitos de vida dia e noite e não sabem nada sobre nada. 
Mas idealizar através do que se escreve cria um "ideal de ser" que enche a imaginação e faz acreditar que não se está sozinho, criando efetivamente uma solidão e um vazio cada vez maior.
 
Você sabe quantas situações desesperadoras têm surgido na Internet?
Você sabe quantos suicídios aconteceram por amores cridos reais?


Existe muita energia negativa, pois as pessoas se sentem bem ao ouvir a voz de alguém, ler e-mails, bate-papo e a cada dia se sentem satisfeitas de uma relação que, muitas vezes, nem existe.


Continua-se a perseguir um sonho,que no entanto, está apenas na cabeça.  
E,vos confesso... Aconteceu comigo...


Este homem brincou por um tempo ,depois voltou para sua vida real. Sua casa continuava lá,seus filhos,sua esposa,seu trabalho... tudo intacto!
- É triste vê-la sofrer, mas nada mais. (Disse-me)


A dependência por este tipo de relação que não é nem conhecimento, nem amizade, não é positiva.


Como eu já disse, a Internet é uma ótima ferramenta e pode dar-lhe muito para o crescimento espiritual e pessoal, devido à liberação imediata que podem ter todos os instrumentos conectados à web.Mas um instrumento virtual não pode ser um substituto para um encontro de um casal real.  


Aqui é onde está o erro.


Por medo de encarar o fardo, a dificuldade de um relacionamento real, agora cada vez mais pessoas se fecham à vida contentando-se de um relacionamento apenas virtual.Enquanto se tratar de fazer amigos,compartilhar conhecimentos, educação ou experiências, isso pode ser bom, mas o homem e a mulher foram criados para se encontrarem, se amarem, procriarem, criarem uma família a viverem juntos. Deus quis que assim fosse... Ele criou assim.


Se o Criador tivesse tido a intenção que nós nos encontrássemos na imaginação, ele teria nos deixado espíritos.


O medo que fecha o coração e entorpece a mente está invadindo o mundo.  


Quando você se sente bem, como eu disse, quando as necessidades básicas são atendidas, você tem medo do sofrimento.

Não estamos acostumados a lutar, sofrer e, às vezes, é suficiente uma má experiência para nos fazer criar uma muralha em volta de nós mesmos.São nesses casos e em muitos outros semelhantes que recorremos à Web, a "encontros" virtuais...E onde há mais solidão é onde há mais ilusão.


É por isso que este é um terreno perigoso.Porque se têm a ilusão de companheirismo, amizade, envolvimento com pessoas na rede e se têm sempre isso à mão, na facilidade de um "click". Com isso você não quer mais sair,encontrar pessoas reais, evitando a troca na vida real.  


Há muitas pessoas que dizem que são o que não são. Existem situações completamente inventadas.

Há momentos de solidão que, para evitar ficar sozinho, você cria um personagem, uma dedicatória ou uma aceitação que na vida real você não tem. Assim como existem pessoas,também, que trazem para fora toda a sua feiúra ou vulgaridade, porque estão escondidas por uma tela.


Em cada situação,portanto, é ESSENCIAL manter o equilíbrio e a lucidez.

Ninguém cresce em relações virtuais.
 
A gente só cresce no encontro do dia-a-dia, carne e osso, cara a cara, olho no olho, é na madrugada da lágrima, na necessidade do abraço, é na convivência do limite do amigo, do irmão, da esposa, do marido, do filho, do pai, da mãe, da filha, é na mesa, é na conversa, é no silêncio que incomoda, é ai que a gente cresce. 


Podemos aproveitar esta maravilhosa máquina, que nos permite conhecer outras pessoas, culturas e lugares, sem que por isso tenhamos que abdicar de nossa fé, de nossos costumes e de nossas crenças.


O telefone, celular, a Web CAM, o computador enfim aproximam e até nos tornam conhecidos em parte, mas nunca substituem o poder do: abraço, do carinho, do toque, do beijo. 

A presença é fundamental.A vivência é inevitável para que este amor seja completo e amadurecido.



Amar é, sentir, ver, tocar, viver a realidade dessa presença, é poder falar e ser ouvido, é viver a dois como sendo um. 


[Uffa!Consegui!]


Vos abraço carinhosamente.

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