
Jesus conseguiu possuir a terra e a história sem ter onde reclinar a cabeça. O que ele realizou foi de imensa ressonância em nossa moral e ética, direcionando sua vida sob a conduta das virtudes listadas em Gálatas 5. 22, 23 de tal modo, que se entronizou nos corações aflitos, fez do amor sua lei e da graça sua teologia.
Jesus chegou ao ápice de cada virtude da lista de Paulo. Ele viveu o amor a tal ponto que abriu mão de sua própria vida para que outros pudessem viver. Seu amor rompeu limites e faces rancorosas. Um teólogo antigo escreveu que “só não conseguimos amar como Jesus amou porque não temos coragem de estabelecer para o nosso amor as mesmas barreiras que ele estabeleceu para o dele”.
Jesus viveu a alegria de forma tão intensa e deliciosa que conseguiu a façanha de libertar-se de geografias da opressão. Mesmo vivendo na Palestina da miséria e da opressão, sob o regime de um império pagão, existindo numa época de turbulências absurdas, conseguiu ser alegre. Após sua ressurreição, mesmo glorioso, vencedor da morte, ele suporta o caos que é para um ser santo viver entre pecadores só para propiciar a seus amados a glória de sua presença.
Ninguém na história da humanidade viveu de forma tão magnífica e desafiadora a realidade da paz. Cerca de setecentos anos antes de Jesus, o profeta Isaías já tinha avisado que ele seria “Príncipe da paz”. Sua capacidade de encarnar a paz era tão excelente que até a natureza, as coisas criadas absorviam essa paz. Ele acalmou vento e mar, a palavra acalmar é a melhor palavra. A calma é produto da paz, em Jesus essa paz era tão intensa que nem a forte tempestade nem o bravo mar ousaram quebrar essa harmonia sagrada.
Numa época de constantes guerras, tensões, efervescência política, tumultos sociais, nervosas disputas teológicas e todas as formas de opressão e violência, Jesus deu um espetáculo de paciência. Ele conseguia desarmar os mais furiosos argumentos com uma simples moeda! No auge da dor, na cruz, abriu as portas da intimidade e da graça e irradiou a história com a frase: “Perdoa-lhes!” Sua paciência não era passividade preguiçosa. Ele baniu os vendedores do templo e, mesmo assim, as crianças cantaram:“Bendito, filho de Davi!” Sua vida destilava essa paciência divina.
Jesus levou a ternura ao máximo que essa virtude é capaz de dar. Ele não era apenas um jovem que não desejava o mal a ninguém, ele se fez bem a todos. Toda sua trajetória histórica foi marcada por uma doçura invencível, uma incrível gentileza e delicadeza capaz de transformar publicanos, prostitutas, leprosos, líderes religiosos – qualquer pessoa – em alvo da graça. Em Jesus, cada gesto é coberto de ternura, cada palavra é cheia de vida, cada dia é marcado por uma incansável capacidade de abraçar.
Outra virtude levada ao extremo por Jesus foi a bondade. Ninguém viveu essa qualidade com tal desenvoltura e humildade. Ele era bom com seus discípulos, mas também com um gadareno marcado pela rejeição e pelo medo. Ele sabia demonstrar sua bondade não somente pelo que dava, mas principalmente pelo que era. O profeta Isaías, também afirmou que seu nome seria “maravilhoso”. Não foi por acaso que ele mesmo afirmou ser “O Bom Pastor”.
Jesus viveu sua fidelidade de forma tão singular que, a fé em seu sacrifício é hoje nossa salvação. Ele foi o homem mais digno de confiança que a história humana já conheceu. Ninguém teve um nível de fidelidade e dignidade tão excelente como ele. Sua base de fé estava em seu conhecimento do Pai. Quando ele disse ser “o caminho, a verdade e a vida”, estava afirmando com todas as letras que só ele era a construção mais perfeita da espiritualidade (caminho), a base da fidelidade (verdade), e a melhor proposta de existência (vida). Jesus marcou a história da suspeita com a abertura da fidelidade.
Ninguém era tão forte quanto Jesus. Mesmo em sua imensa força, jamais se impôs sobre alguém, assim, ele apresentou ao mundo e à humanidade a perfeita mansidão. Tinha a perfeita mistura entre a força e a suavidade. Ele temperou perfeitamente carisma com caráter, energia com graça, cruz com coroa. A mansidão em Jesus se transformou na qualidade essencial dos grandes, na esperança inigualável dos pequenos e na vitória magnífica dos que o compreendem como “Deus forte”.
Enfim, Jesus tinha um perfeito equilíbrio, fruto de seu domínio próprio, sua tremenda capacidade de subjugar apetites e paixões. Como humano, o escritor aos Hebreus nos mostra que ele em tudo foi tentado, mas sem pecado (Hb. 4. 15). Ele trilhou as estradas da tentação, enfrentou os altos e baixos da condição humana, foi humilhado, desprezado, ferido, mas em tudo isso foi perfeitamente equilibrado. Nunca se entregou aos caprichos da mentalidade beligerante de seu tempo, não se aprisionou às neuroses, não perdeu seu domínio. Ele aprendeu o que é a vida humana do ponto de vista de um humano.
Baseados em Jesus podemos afirmar como Paulo: “Contra estas coisas não há lei”. Jesus viveu sua vida baseado nessas virtudes, provando que elas são as mais excelentes “leis” que um ser humano pode seguir. São Leis de Deus, leis que geram vida, que não aprisionam, mas libertam. São leis que não ferem, mas curam. Há um ditado latino que diz: “A lei sempre acusa!” Mas no espírito dessas virtudes, nenhuma lei acusa, pois o princípio fundamental de cada uma delas é viver uma excelência de vida e espiritualidade.
O Fruto do Espírito é o perfeito retrato de Cristo!
Até mais...
Alan Brizotti
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